De volta após um fim de semana fabuloso, a garota vai destrancando a porta com certo desânimo. Jamais havia participado de uma dessas viagens promovidas pelo colégio, e agora que acabou restou apenas uma sensação de retorno à normalidade da rotina. Pelo menos ainda é domingo, sinônimo de privacidade e tranquilidade. Uma pequena olhadinha pelo quarto do pai foi suficiente para descobrir que a casa está vazia. Provavelmente ele está com os amigos de sempre no estádio de futebol. Com alguma mulher é que provavelmente ele não está...
Mesmo com a chegada do pai, a calmaria ainda impera. A equipe deve ter perdido o jogo... Bem feito para ele, quem mandou se apegar ao amor a um clube para fugir de relações com pessoas diferentes? Haja comodidade!
Pensamentos sobre sua família ressurgem com insistência na mente na garota. Sabe que ela e seu pai são suficientes para formar uma família, por que não formariam? Mas não se pode deixar de notar o quanto algumas pessoas acham isso estranho, até deixam-na perceber indícios de um sentimento de pena. E claro que às vezes a vontade de ter uma mãe na casa surge, mas tudo tem seus prós e contras.
O pai cochila serenamente no sofá quando ela chega à sala, ocupando o espaço onde normalmente se encontram as almofadas. É engraçado o jeito como se acomoda, lembrando um bebê ainda no ventre... Pois é, boa hora para um sorriso e um abraço de família.
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